Mesmo com as apostas proibidas no Brasil, muitos brasileiros acessam sites de apostas offshore, operados do exterior e sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF). Esta página mostra quais são os mais populares segundo dados públicos de tráfego e de reclamações, quem os opera, que licença declaram e quais riscos encontramos. É um levantamento informativo: não indicamos nenhum desses sites.

O que é um site offshore

Chamamos de offshore a casa de apostas que atende brasileiros a partir do exterior sem nunca ter tido autorização da SPA/MF — como 1Win, Mostbet ou Melbet — e também o site internacional (que não termina em .bet.br) de uma marca que teve operação autorizada. É o caso do stake.com e do 1xbet.com: as marcas Stake e 1xBet tinham sites .bet.br autorizados, mas os domínios internacionais pertencem a outras empresas, licenciadas em Curaçao, e nunca foram autorizados no Brasil.

Desde 25/09/2026, a MP nº 1.394/2026 proíbe as apostas de quota fixa no país, inclusive por operadoras estrangeiras; o cronograma e a situação das marcas que eram autorizadas estão em bets fora do ar. Os sites em que a criptomoeda é o centro do produto têm lista própria, a de sites de apostas com cripto.

Como montamos este ranking

Coletamos dados públicos em 09/10/2026. A principal métrica é o número de visitas vindas do Brasil ao domínio principal de cada marca em agosto de 2026, segundo o Semrush (ranking de sites de jogos de azar no Brasil e páginas de cada domínio). Como complemento, usamos as páginas públicas da Similarweb (relatório de setembro de 2026, com a participação do Brasil no tráfego) e o volume de reclamações no Reclame Aqui, que reflete uso real por brasileiros.

Marcas com sinais coerentes nas duas ferramentas ficaram à frente das que dependem de uma só fonte. Por isso BC.Game e Gamdom, que aparecem bem no Semrush mas não têm o Brasil entre os cinco principais países na Similarweb, ficaram abaixo da 1Win e da Brabet. Excluímos marcas que eram autorizadas e não têm site internacional popular no Brasil e marcas sem tráfego brasileiro relevante nos dados.

Os limites deste levantamento são importantes:

  • São estimativas. Os números vêm de ferramentas de terceiros, que divergem entre si e não são diretamente comparáveis.
  • Só o domínio principal. Essas operadoras usam espelhos, domínios alternativos e apps; o uso real pode ser bem maior do que o medido.
  • Dados anteriores a 06/10/2026. A migração de apostadores para sites ilegais depois que as autorizadas saíram do ar não está medida.
  • Stake e 1xBet podem estar infladas. Parte das visitas brasileiras aos sites internacionais pode vir de clientes das operações autorizadas.
  • Sem estudo público com nomes. As pesquisas sobre o mercado ilegal que encontramos estimam o tamanho do mercado, mas não citam quais sites são os mais usados.
  • Testes de fora do Brasil. Verificamos o status de cada site a partir de outros países (Reino Unido e EUA); não testamos o acesso por IP brasileiro. O Reclame Aqui bloqueou nosso acesso em 09/10/2026, então os números de reclamações vêm de fichas coletadas até essa data.

Por que estes sites não são uma alternativa segura

A proibição da MP vale também para operadoras estrangeiras, e bancos e instituições de pagamento no Brasil não podem processar transações de apostas. Na prática, quem deposita em um site offshore fica sem proteção de qualquer órgão brasileiro: a devolução de saldos prevista na MP passa pelas plataformas que eram autorizadas, e nada nos dados indica que sites offshore participem dela. Se uma conta for bloqueada ou um saque não for pago, não há a quem recorrer no Brasil — veja como funciona a devolução em bets fora do ar.

Os dados que coletamos mostram padrões repetidos de problemas:

O governo também está fechando o cerco: 13.241 sites foram encaminhados para bloqueio entre 25/09 e 06/10/2026, segundo a Teletime, e um monitoramento citado pelo Poder360 viu o número de sites não autorizados passar de 295 para 710 entre 25 e 27/09/2026. Sites que surgem e somem rapidamente aumentam o risco de perder o saldo.

Como reconhecer um site offshore

  • Licença estrangeira. A maioria declara licença de Curaçao ou de Anjouan (União das Comores). Anjouan é uma jurisdição de baixa credibilidade, e em vários casos não conseguimos confirmar a licença no registro do regulador de Anjouan.
  • Domínio sem .bet.br. Os sites que eram autorizados no Brasil usavam o domínio .bet.br — e hoje redirecionam para o brasilsembets.gov.br. Um site de apostas que segue no ar com outro domínio não tem autorização.
  • Domínios-espelho e redirecionamentos. Brabet e Megapari, por exemplo, redirecionam o domínio principal para endereços alternativos. Isso dificulta identificar quem responde pelo site e medir o seu uso real.
  • Licença que não cobre o domínio. Na 1Win, na Melbet e na Parimatch, os domínios voltados ao Brasil não constam dos domínios aprovados pela licença de Curaçao, segundo o registro de licenças da Curaçao Gaming Authority.
  • Operador oculto. A Brabet não informa operador nem licença no site, e o rodapé diz não se responsabilizar pela "violação de suas leis locais".
  • Nenhum aviso sobre a MP. Vários sites seguiam em português, sem mencionar a proibição no Brasil.

Para entender como avaliamos operadoras e licenças, veja a nossa metodologia; as marcas que analisamos em profundidade estão no ranking das casas de apostas.

Marcas que acabaram de surgir merecem cuidado extra: veja a verificação de novos sites de apostas e o passo a passo para pesquisar um site antes de se cadastrar. Se você está procurando um site offshore porque não consegue parar de apostar, isso pode ser um sinal de alerta — procure ajuda em jogo responsável.